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terça-feira, 17 de março de 2020

MUNDO & CIÊNCIA

União Europeia anuncia o fechamento de todas as suas fronteiras durante 30 dias

Segundo o último balanço, no momento há mais mortes por coronavírus fora da China do que no país no qual a pandemia iniciou

Por AFP


Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen
Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen - AFP

Paris - A União Europeia fechará todas as suas fronteiras com o exterior durante 30 dias por causa do avanço do novo coronavírus, que já deixou mais de 7.000 mortos no mundo, e como forma de conter a sua propagação. Nesta segunda, líderes do G-7 prometeram dar uma "resposta contundente" à crise.

"Todos as viagens entre os países europeus e a União Europeia permanecerão suspensas por 30 dias", anunciou o presidente francês, Emmanuel Macron.

"A pandemia de Covid-19 é uma tragédia humana e uma crise sanitária global, que também traz grandes riscos para a economia mundial", disseram os dirigentes do grupo dos sete países, por meio de comunicado publicado após uma cúpula extraordinária por videoconferência.

Em um momento em que o mundo inteiro se organiza contra a pandemia, o G7 prometeu coordenar "esforços para retardar a propagação do vírus, incluindo medidas adequadas de gestão das fronteiras".

A Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu aos países nesta segunda que realizem testes "em cada caso suspeito" de coronavírus.

"Não se pode apagar o fogo com os olhos vendados", disse o diretor da instituição, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Desde o começo da epidemia foram contabilizados mais de 175.530 casos de contágio em 145 países.

A China continental, sem contar com Hong Kong e Macau, tem 80.860 pessoas infectadas, das quais 3.213 morreram. Mas a Europa se tornou o novo epicentro da pandemia, segundo a OMS, com 61.073 casos, dos quais 2.711 faleceram.

Europa tenta conter o vírus
A explosão do número de casos levou os estados europeus a confinar suas populações, fechar as fronteiras e decretar estritas quarentenas.

Na Itália, o país mais afetado da Europa e que superou os 2.000 mortos de um total de 27.980 casos, o governo pediu uma coordenação conjunta europeia em termos de saúde e economia.

A Espanha fechou suas fronteiras terrestres. Na Alemanha, controles nas fronteiras entraram em vigor e seus habitantes foram alertados para "ficarem em casa" e a abrirem mão das férias de verão.

A Suíça, por sua vez, decretou estado de emergência, enquanto Portugal proibiu quase "todas as aglomerações e encontros públicos e privados".

O governo britânico pediu para que todos evitassem o contato e o deslocamento "não essencial".

A Espanha é o segundo país europeu mais afetado depois da Itália, e contabiliza 309 mortos e 9.191 casos. Desde o decreto sobre estado de alerta anunciado pelo governo, a população vive confinada e com sérias restrições para o movimento por ao menos 15 dias.

Macron, por sua vez, anunciou que a partir da próxima terça ao meio-dia todos os cidadãos devem entrar em confinamento quase total, podendo sair às ruas somente por motivos urgentes.

Na próxima terça, ocorrerá uma reunião extraordinária dos 27 dirigentes da União Europeia.

A maioria dos países europeus vão pouco a pouco fechando suas lojas, restaurantes e casas de espetáculos, além de limitar o deslocamento. O trabalho à distância tem sido uma realidade para os países afetados.

A Rússia também fechou suas fronteiras aos estrangeiros.

Segundo o último balanço, no momento há mais mortes fora da China do que no país no qual a pandemia iniciou. No local, a epidemia dá sinais de estar controlada, com registros de somente 16 novos casos nesta segunda, dos quais 12 são procedentes do exterior.

Avanço nos EUA e na América Latina
A milhares de quilômetros de distância, o governador do estado americano de New Jersey, vizinho a Nova York, anunciou nesta segunda um toque de recolher para todos os comércios e deslocamentos não essenciais, a primeira medida desse tipo a nível estatal.

O Canadá proibiu a entrada de estrangeiros.

Na América Latina, o presidente venezuelano Nicolás Maduro decretou o confinamento no país, como na cidade de Caracas, a partir desta segunda-feira (16).

A Argentina suspendeu as aulas e fechou as fronteiras até o próximo 31 de março, enquanto a Guatemala registrou o seu primeiro morto. A Colômbia proibiu a entrada de estrangeiros, e o Chile fechou todos os portos aos cruzeiros, após colocar em quarentena cerca de 1.300 pessoas a bordo de um deles.

Outro navio, com 3.700 pessoas, está em quarentena na Nova Zelândia, que também proibiu o desembarque de todos os cruzeiros até o próximo 30 de junho.

Nos Estados Unidos, as novas medidas para os americanos que voltam da Europa provocaram um caos nos aeroportos. As cidades de Nova York e Los Angeles ordenaram, por sua vez, o fechamento de bares, restaurantes e boates. Em Las Vegas, a MGM fechou os seus 13 hotéis e cassinos.

Mercados novamente reagem mal
Na questão econômica, as bolsas voltaram a viver uma segunda-feira negra, apesar das medidas dos bancos centrais.

Wall Street teve um dos piores dias de sua história em meio ao pânico pelo avanço da pandemia. O Dow Jones Industrial Average despencou 12,94%, a maior queda desde outubro de 1987. O tecnológico Nasdaq caiu 12,32%.

Os preços do petróleo caíram ao nível mais baixo em quatro anos. Nos EUA, o WTI para entrega em abril fechou em 28,70 dólares, uma queda de 9,5%. O Brent do mar do Norte recuou 11%, a 30,05 dólares el barril.

A Bolsa de São Paulo fechou com queda de 13,92% e o real se desvalorizou ainda mais em relação dólar, que pela primeira vez ficou acima dos 5 reais. O índice Ibovespa fechou a 71.168 pontos, menor nível desde junho de 2018.

As bolsas de valores europeias fecharam nesta segunda-feira com uma queda acentuada. Em Madri, o IBEX-35 fechou com forte queda de 8,27%; em Milão (Itália), o FTSE MIB caiu 6,1%; em Paris, o CAC 40 caiu 5,75%; Frankfurt 5,31%; e Londres fechou com queda de 4,71%.

A União Europeia anunciou uma recessão em 2020, calculada entre 2 a 2,5%, enquanto a China registrou a sua primeira queda na produção industrial em quase 30 anos, e colapso das suas vendas comerciais.

Empresa líder mundial do Turismo, a alemã TUI, suspendeu a maior parte das suas atividades. O IAG, grupo proprietário da British Airways e da Iberia, entre outros, prevê uma redução de ao menos 75% dos seus voos entre abril e maio.

A montadora ítalo-americana Fiat Chrysler anunciou nesta segunda a suspensão da produção na maioria de suas fábricas na Europa até 27 de março, enquanto o grupo automobilístico francês PSA anunciou a interrupção das atividades em todas as suas fábricas na Europa ao longo desta semana devido à pandemia.

Na Ásia, a Índia fechará o famoso Taj Mahal. No Oriente Médio, o Irã anunciou nesta segunda o fechamento de quatro importantes lugares santos.
Por AFP

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